
terça-feira, 19 de abril de 2011
esse silêncio

sábado, 16 de abril de 2011
Carta Aberta às Mães e Pais
Carta Aberta às Mães e Pais
Diante de uma semana tão complicada e difícil, um grupo de mães escreveu uma carta. Não temos a intenção ou pretensão de saber ou entender ou resolver a gravidade de tudo o que aconteceu. A dor nos levou a pensar em plantar uma semente de amor. Porque só o amor salva e precisamos ter uma fé inabalável nesta verdade absoluta.
O presente, um dia foi uma criança.
As crianças são o futuro.
Carta Aberta às Mães e Pais
Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.
A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?
Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças!Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.
Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,
temos de começar pelas crianças. Gandhi
O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?
Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?
O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.
O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?
Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!
Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.
Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.
Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!
Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.
Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é?
Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor!
Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.
terça-feira, 12 de abril de 2011
celeste

domingo, 3 de abril de 2011
já não me basto

segunda-feira, 21 de março de 2011
teu olhar incendiou o meu!

quarta-feira, 9 de março de 2011
porque afinal toda semana tem quarta-feira!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
gotas d' água

as veias dilatadas
- coração dilacerado -
os poros abertos
sobrepostos
dispostos
interditos
em oposição
o tempo que expira
ar e efeito
sobe e desce
olhar e feitiço
língua
dedos pasmados
passados
pelos seios, corrediços
a transpiração
suores que escorrem
olhares gulosos
sedução
teias
tessituras
texturas
tensão
controle ineficaz
olhar fragmentado
pupila dilatada
a perda dos sentidos
e a explosão em gotas d' água!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
quando eu choro
Quando eu choro, eu choro mesmo, não faço economia de lágrimas, nunca fiz, choro, chorando; os choros todos que estavam guardados, muitos deles por falta de tempo de dar-lhes vazão, ou então pela invasão de tantas outras urgências, que vou adiando os choros que eu deveria chorar, e quando a necessidade se faz calamitosa, essa que estou chorosa, derrama um Nilo pelas retinas, nada me anima, nem mesmo a mais brilhante estrela no céu; nem flor, nem abraço, nem beijo, nem barco, nem pêssego, nem pão quente de manhã, nem café, nem avião de papel, nem aquela melodia d´Ella, que o vento me traz, na calada da madrugada, nada, nada. Então me ponho a nadar, entre as lágrimas que quase chegam a me afogar. Me afogo fácil me distraio com a simplicidade da vida, um pé de margarida, aquela borboleta que fica borboleteando na minha varanda, a gata branca que tenta alcançá-la, ou me convida para brincar, ou com a flor que desabrocha quando esperávamos tanto e o esquecimento nos brinda com o inesperado mais esperado. Aquela carta que nunca imaginei receber, ou a poesia que nasceu, mesmo quando acabei de esquecer.
Choro pelo livro que nunca li, pelo romance que eu não vivi, pela dor de quem nem conheço ou conheci, pela minha frustração e pela do meu irmão; pela saudade de quem conheço e está longe, até por quem desconheço e em algum lugar do planeta, se esconde. Choro. Choro pelas coisas banais e profundas, pelos desencontros do mundo, pelos amores que findam, pela atenção que mingua. Choro até pelo que não sei, mas está guardado bem fundo nesse coração fecundo, um poço tão infindo que mesmo desmaiando não chego ao seu profundo e nem caibo nele, porque nem tamanho tenho... Flutuo pelo mundo feito pluma sem destino.
Olinda, X - IX - MMIX
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Quem eu escuto? Sim, é Ella mesma, The Man I love, cantarolemos, roucamente baixo: "... Maybe I shall meet him Sunday/ Maybe Monday, maybe not..."
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
fica fácil assim a travessia
meu mundo se amplia
sorrio de volta
vivemos a nossa calmaria
até que enlaças a minha mão
confiantes seguros
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
constantinopla
abertos à vida, ávidos
- livres, libertos -
dos suspiros aprisionados
- destemidos -
num cavalo alado
- branco como a paz
branco como a neve
branco como as nuvens –
alimentados pelo fogo da excitação
a guiá-los pela imensidão
a um só desejado destino
Constantinopla!
acordaram não ter metas
- nem temores –
e um inviolável sentimento
nascido do nada
brincadeira do acaso
- nas noites indormidas –
não faziam perguntas
não queriam respostas
queriam-se
buscavam-se
e seu lugar no mundo
Tsargrad!
imperador e imperatriz
enlaçados pela pureza da água
diluíam-se pelo Bósforo
seguiam inseparáveis
recriando diuturnamente aquele incontrolável desejo
e nesse mundo à parte
expatriados
não queriam estar em outra parte
Miklagard!
maçã de prata
fome e pecado a um palmo da mão
sempre em risco
no riso do céu da boca
desejo exposto
dispostos
puramente sedução
não se importavam com a fragilidade de quase tudo
fiavam-se naqueles fios
- de seda, de aço –
estendiam-se em abraços
sem perda de tempo
em poesia e prosa
refúgio dourado em cada anoitecer
realidade e ilusão
a sorte e uma sentença
um só olhar, a mesma porta
Constantinopla!
num retábulo bordado
cheio de luz e desatino
ora homem, ora menino
perdia-se em meio aquele caminho
- porque nela se encontravam –
renegaram enfim
a solidez do marfim
saíram do ambiente sepulcral
em que se encontraram
um rasgo na retina
por uma pequena greta
o sol explodiu em clarão
todos os halos de luz no céu
e proclamou-se a beleza
despontou o encanto
e no limiar da explosão
com a voz melíflua a sussurar
numa sutil sedução:
sua beleza mais que um arco tenso
é a beleza incomensurável
de altivez e singularidade
em seus braços a me embalar
nesse eterno encantamento
vivamos esse momento
esse momento e nada mais
nosso singular encontro
sem os efeitos colaterais
não foi apenas ontem que aprendemos a amar
recebamos esse presente
à revelia de amanhãs
sem tropel e armadura
nem dissabores e agruras
flecha apontada
alvo definido
um só coração
caminho traçado
rumo à esquina do mundo
juntos em uníssono
entoando a mesma canção
desde agora e para sempre
uma invulgar história
percorreriam uma só rota
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
no silêncio das coisas esquecidas
no silêncio das coisas esquecidas
se inseriu uma breve história
daquelas bem transitórias
guardadas apenas numa única memória
que se encastela confortável
por entre as nuvens de poeira
numa pesada leveza
que desliza
por entre as prateleiras
como esferas de chumbo
empilhadas num mundo
que ninguém mais viu
só ela em seu costumeiro desprezo
pelas coisas vãs
ligações temporais
a tudo que é banal
e no girar mundo
gerar fé
rolar dadinhos
digerir conflitos
rasgar confetes
lançar foguetes
engolir saudades
despertar para a vida
deseja agora
apenas guardar esse silêncio que ocupa a alma
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Faz dois dias que eu só escuto essa canção: Simple Man, Lynard Skynard. É, eu escuto a mesma música, várias vezes, muitos dias... Experimenta!
voo cego
O corpo é o limite. O corpo é o que me impede de ser pássaro Alejandra Pizarnik A Alejandra Pizarnik imagem: Fernando de Noronha, Brasil. ...
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(imagem recolhida na internet) n ão era um ensaio de vida um recorte incomum de um tempo suspenso no ar havia sempre um sol resplandecente ...



