
segunda-feira, 21 de março de 2011
teu olhar incendiou o meu!

quarta-feira, 9 de março de 2011
porque afinal toda semana tem quarta-feira!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
gotas d' água

as veias dilatadas
- coração dilacerado -
os poros abertos
sobrepostos
dispostos
interditos
em oposição
o tempo que expira
ar e efeito
sobe e desce
olhar e feitiço
língua
dedos pasmados
passados
pelos seios, corrediços
a transpiração
suores que escorrem
olhares gulosos
sedução
teias
tessituras
texturas
tensão
controle ineficaz
olhar fragmentado
pupila dilatada
a perda dos sentidos
e a explosão em gotas d' água!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
quando eu choro
Quando eu choro, eu choro mesmo, não faço economia de lágrimas, nunca fiz, choro, chorando; os choros todos que estavam guardados, muitos deles por falta de tempo de dar-lhes vazão, ou então pela invasão de tantas outras urgências, que vou adiando os choros que eu deveria chorar, e quando a necessidade se faz calamitosa, essa que estou chorosa, derrama um Nilo pelas retinas, nada me anima, nem mesmo a mais brilhante estrela no céu; nem flor, nem abraço, nem beijo, nem barco, nem pêssego, nem pão quente de manhã, nem café, nem avião de papel, nem aquela melodia d´Ella, que o vento me traz, na calada da madrugada, nada, nada. Então me ponho a nadar, entre as lágrimas que quase chegam a me afogar. Me afogo fácil me distraio com a simplicidade da vida, um pé de margarida, aquela borboleta que fica borboleteando na minha varanda, a gata branca que tenta alcançá-la, ou me convida para brincar, ou com a flor que desabrocha quando esperávamos tanto e o esquecimento nos brinda com o inesperado mais esperado. Aquela carta que nunca imaginei receber, ou a poesia que nasceu, mesmo quando acabei de esquecer.
Choro pelo livro que nunca li, pelo romance que eu não vivi, pela dor de quem nem conheço ou conheci, pela minha frustração e pela do meu irmão; pela saudade de quem conheço e está longe, até por quem desconheço e em algum lugar do planeta, se esconde. Choro. Choro pelas coisas banais e profundas, pelos desencontros do mundo, pelos amores que findam, pela atenção que mingua. Choro até pelo que não sei, mas está guardado bem fundo nesse coração fecundo, um poço tão infindo que mesmo desmaiando não chego ao seu profundo e nem caibo nele, porque nem tamanho tenho... Flutuo pelo mundo feito pluma sem destino.
Olinda, X - IX - MMIX
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Quem eu escuto? Sim, é Ella mesma, The Man I love, cantarolemos, roucamente baixo: "... Maybe I shall meet him Sunday/ Maybe Monday, maybe not..."
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
fica fácil assim a travessia
meu mundo se amplia
sorrio de volta
vivemos a nossa calmaria
até que enlaças a minha mão
confiantes seguros
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
constantinopla
abertos à vida, ávidos
- livres, libertos -
dos suspiros aprisionados
- destemidos -
num cavalo alado
- branco como a paz
branco como a neve
branco como as nuvens –
alimentados pelo fogo da excitação
a guiá-los pela imensidão
a um só desejado destino
Constantinopla!
acordaram não ter metas
- nem temores –
e um inviolável sentimento
nascido do nada
brincadeira do acaso
- nas noites indormidas –
não faziam perguntas
não queriam respostas
queriam-se
buscavam-se
e seu lugar no mundo
Tsargrad!
imperador e imperatriz
enlaçados pela pureza da água
diluíam-se pelo Bósforo
seguiam inseparáveis
recriando diuturnamente aquele incontrolável desejo
e nesse mundo à parte
expatriados
não queriam estar em outra parte
Miklagard!
maçã de prata
fome e pecado a um palmo da mão
sempre em risco
no riso do céu da boca
desejo exposto
dispostos
puramente sedução
não se importavam com a fragilidade de quase tudo
fiavam-se naqueles fios
- de seda, de aço –
estendiam-se em abraços
sem perda de tempo
em poesia e prosa
refúgio dourado em cada anoitecer
realidade e ilusão
a sorte e uma sentença
um só olhar, a mesma porta
Constantinopla!
num retábulo bordado
cheio de luz e desatino
ora homem, ora menino
perdia-se em meio aquele caminho
- porque nela se encontravam –
renegaram enfim
a solidez do marfim
saíram do ambiente sepulcral
em que se encontraram
um rasgo na retina
por uma pequena greta
o sol explodiu em clarão
todos os halos de luz no céu
e proclamou-se a beleza
despontou o encanto
e no limiar da explosão
com a voz melíflua a sussurar
numa sutil sedução:
sua beleza mais que um arco tenso
é a beleza incomensurável
de altivez e singularidade
em seus braços a me embalar
nesse eterno encantamento
vivamos esse momento
esse momento e nada mais
nosso singular encontro
sem os efeitos colaterais
não foi apenas ontem que aprendemos a amar
recebamos esse presente
à revelia de amanhãs
sem tropel e armadura
nem dissabores e agruras
flecha apontada
alvo definido
um só coração
caminho traçado
rumo à esquina do mundo
juntos em uníssono
entoando a mesma canção
desde agora e para sempre
uma invulgar história
percorreriam uma só rota
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
no silêncio das coisas esquecidas
no silêncio das coisas esquecidas
se inseriu uma breve história
daquelas bem transitórias
guardadas apenas numa única memória
que se encastela confortável
por entre as nuvens de poeira
numa pesada leveza
que desliza
por entre as prateleiras
como esferas de chumbo
empilhadas num mundo
que ninguém mais viu
só ela em seu costumeiro desprezo
pelas coisas vãs
ligações temporais
a tudo que é banal
e no girar mundo
gerar fé
rolar dadinhos
digerir conflitos
rasgar confetes
lançar foguetes
engolir saudades
despertar para a vida
deseja agora
apenas guardar esse silêncio que ocupa a alma
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Faz dois dias que eu só escuto essa canção: Simple Man, Lynard Skynard. É, eu escuto a mesma música, várias vezes, muitos dias... Experimenta!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve, breve
instante da loucura
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
...
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura
domingo, 9 de janeiro de 2011
me and you no more
ouvi dizer que você anda sorridente
que canta sem motivo aparente
e seu olhar ainda que triste
tem um brilho diferente
e os passeios à beira do rio
já ficaram lá atrás
não tem mais passeios
não tem mais rio
não tem mais risos
não tem mais corridas
rumo ao incerto
nem as diversões inventadas no meio do nada
- nem a fome de madrugada -
nem lembra mais do peixe no aquário
nem do parque nos dias de outono
tudo virou pó
pó no sótão da memória
pó no álbum de retratos
pó de estrada
pela qual ninguém caminha mais
tudo agora é o absoluto
absolutamente inexistente
o que se instala nesse instanteé a eternidade do nunca mais
nunca mais nós dois
nunca mais
nunca mais
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Home - Michael Buble, David Foster, Bill Ross - com o Bublé, porque tinha que ser essa música, porque tinha que ser essa...
domingo, 2 de janeiro de 2011
everything has one end

é em mim que
existes
em mim
e já não mais em ti
porque tudo que és
é uma invenção minha
prescinde a vida e a morte
assim desse jeito até banal
tua matéria
minha criação
teu fim só com o meu não
sim, decerto
pois decreto por fim
esse fim com um final extenso em mim
...
...É que nessas horas, só o blues... só o blues. Vamos aumentar o som que Jeff Beck - Brush with the blues - dá as notas.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
vinho, queijo &... Barthes (ou bricolagens)!
eu escrevi o que escrevi
quem haverá de lero que eu escrevi
quem entendeuo que eu escrevi
se nem eu que escrevisei o que escrevi
sequer catalogueio obscuro do que escrevi
o desoculto do que sentise sou uma colecionadora
de imagenstextos
bricolagensbrinquedoteca de mim
quem haverá de saber o sentido
do que sintoo que não me arrisco a dizer
o ad absurdum que em mim hádo sentimento (in)contido
incontávelno outro olhar
que vem aqui olharo que eu estou a olhar
a plausibilidade do que não quero sentirmas não posso negar
quem haverá de medira distância
entre o raso e o fundoa superfície e o profundo
se só quero na vida saber com sabor?Enquanto dialogava com Barthes, numa conversa regada com muito vinho, escutava a Carmen Souza super talentosa, uma jazzista de primeira linha, a boa música caboverdiana na veia, que tive o privilégio de assisti-la na Casa da Música (Porto-Portugal) oiçamos: Mar na Coraçon.
Mais da Carmen, aqui: http://www.carmensouza-uk.blogspot.com/
http://carmensouza.blogspot.com/
Oiçamos-na!
voo cego
O corpo é o limite. O corpo é o que me impede de ser pássaro Alejandra Pizarnik A Alejandra Pizarnik imagem: Fernando de Noronha, Brasil. ...
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(imagem recolhida na internet) n ão era um ensaio de vida um recorte incomum de um tempo suspenso no ar havia sempre um sol resplandecente ...





