domingo, 16 de maio de 2010

(d)Existir

(imagem colhida na internet)

a lembrança foi um sopro
inesperado que chegou no vento
o sabor e o cheiro
aprisionados
na alma corpo pensamento


e quando aquela insiste em resistir
recorro aos artifícios
invento mil malefícios
subverto o coração
e escrevo para (d)existir


Recebi o prêmio Blog de Ouro, da Juliana Carla, do blog Braille da Alma , o selo está na coluna à direita, indico-o para todos, mas tenho que selecionar seis, ei-los:

Ana Cláudia - http://ninhodaninha.blogspot.com/

Dilberto - http://osmorcegos.blogspot.com/

Mariana - http://sordidassa.blogspot.com/

Max - http://max-etnias.blogspot.com/

Nanci - http://maria-sem-vergonha-docerrado.blogspot.com/

Si - http://malaguetasweet.blogspot.com/

Trago a Nana Caymmi cantando, Resposta ao Tempo - Aldir Blanc/Cristovão Bastos. Cantemos: "Num dia azul de verão/ Sinto o vento/ Há fôlhas no meu coração/ É o tempo/ Recordo um amor que perdi/ Ele ri [...]/ Eu posso, ele não vai poder/ Me esquecer".



domingo, 2 de maio de 2010

Desejo oblíquo

imagem: andrea

e então dobraste a esquina
vi de soslaio
teu vulto elegante
em passos cadenciados


basalto
rebrilhando na retina
postura de rei
entre nós

muito mais que o gradil
o vento

adversidades e escolhas
magma derramado

rocha
e meu desejo oblíquo
pendendo da janela
fome tardia

de uma vontade que não sacia
uma saudade que arde
e fere a paisagem
e o poema



Uísque (com gelo), por favor! E a Amy Winehouse, cantando centenas de vezes: Back to Black!



Amigos/as, já recebi diversos selos, e sei que todos foram oferecidos com muito carinho, mas não sabia colocá-los aqui, de modo que agora sei, e na barra lateral inauguro os mimos.

Regras:

1. Dar, no mínimo, a 5 blogs.
2. Copiar endereço de imagem e falar quem o indicou.
3. Colocar as regras.
4. Avisar os indicados.

Recebi da Si:


Indicados:



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Entre el Sueño hay un Océano

(imagem colhida na internet)


... es que entre el océano y el sueño
hay un profundo anhelo

y mi duele!
y no tengo alas para volar...


Mi gusta mucho la voz de esta chica, Ana Belen, que canta en dúo con Antonio Banderas, vamos a escucharla, la canción si llama, No Se Por Que te Quiero

domingo, 28 de março de 2010

"Cuba Libre"


Exorto o povo cubano, tanto no exílio como na Ilha, a que continue a lutar pela liberdade. A minha mensagem não é uma mensagem de derrota, mas de luta e de esperança. Cuba há-de ser livre. Eu já o sou.” Carta de despedida de Reinaldo Arenas
Extractos do livro “Antes que anoiteça” de Reinaldo Arenas.



Basta ya!

Para que o silencio de alguns não se torne regra de muitos, nem lei para todos.


Serei de novo, como um dia fui,

choro de mães na Plaza de Mayo,

lado a lado serei, com Luisa Tamayo,

a irada multidão que pelas rua flui.


Serei de novo, como um dia fui,

Dama de Blanco em La Habana

Gritando ao silencio onde afinal rui

Olvidados sonhos da nação cubana.


Esquecido e sem amparo, morreu Zapata

No silêncio da palavra livre tornada ingrata

Murió solo, lejos de los suyos en Camagüey.


Diz-me Che, a Luisa, mãe e Pietá, o que direi

Se a ‘Primavera Negra’ de Março ainda mata,

Na Cuba que, como Orlando Zapata, tanto amei.


Alex

21-03-2010

Texto retirado daqui

Entonces nosotros vamos ahora a escuchar, Pablo Milanés, la canción, La Vida no Vale Nada

quarta-feira, 10 de março de 2010

Oração

(imagem: Sebastião Salgado)


que a escuridão da noite

se perpetue nos desejos

que eu esqueça para sempre

dos lugares que já foram meus


que meus sonhos

se percam das moradas

que os caminhos e os lugares

se transfigurem em meras paisagens


que esse rio parado

onde outrora navegamos águas rebeldes

se espraia

em qualquer desembocadura


enquanto me divido entre altares e pedidos

no oráculo do desassossego

resistindo aos dias e noites

sem coragem ou medo


amém!


Para esse momento, Cantiga, com o Quinteto Armorial.



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A natureza transitória da vida

(imagem colhida na internet)


... a natureza transitória da vida
em seu movimento
ad infinitum
distancia o que aproxima
e aproxima o impensável
porque tudo é possível
no insondável e vertiginoso mistério
entre o céu e a terra...


Ney Matogrosso, cantando Poema - Cazuza e Frejat, quem tem decifrado o mistério da vida, faz favor, me revela?

... Porque o passado faz parte do que passou, será?


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pedra Bruta

(imagem dos arrebaldes da Residência Universitária Alberto Amaral - Porto - Portugal)

pedra bruta
fincada no peito
sentimento brutal
escorre fino
suor e sangue
punhal

olhos em transe
dilatadas pupilas
trêmulas carnes
narinas tensas
pele em fogo e brasa
alarde

pedra bruta
recalcitrada
olhos de chuva rumo ao céu
destino endurecido
um risco
cinzel

ainda intensos
despedaçados nos caminhos
nada esgota: esperança e dor
soltos um do outro
distância e desalinho
mas da pedra sempre há de brotar uma flor!

Trago Vadú (morto recentemente num acidente de carro, na Ilha por adoção, Santo Antão - Cabo Verde), cantando Preta, sintam e conheçam um pouco mais de Cabo Verde.

Mais sobre Vadú, aqui:

http://odiaquepassa.blogspot.com/2010_01_01_archive.html

http://faialomito.blogspot.com/2010/01/vadu-um-jovem-musico-caboverdeano-de-33.html








terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Um dia de Cristo!

imagem: Giovanni Gastel

de repente me vejo
Cristo fustigada
Cristo crucificada
em um mundo cruel obcecado

em forma de tê
afixada asfixiada angustiada
legião de soldados
nas mãos o
flagrum
quarenta vezes açoitada
nenhum centurião interveio
e se dá enfim a procissão
eu Cristo condenada

quem de vós será o Simão meu Cirineu
quem comigo caminhará
desde a fortaleza Antônia
até ao Gólgota
Bar-Abbasa mim alinhado
aliado em destino
prelúdio ao infortúnio

vinho e mirra entorpecendo
pesados cravos
trespassando nos pulsos
coração comprimido

em murmúrio um pedido:
"Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem"!

lança sendo atirada
peito esfacelado
água e sangue
da ferida aberta brotando

na cabeça ondulada
espinhos coroando
suas pontas
na carne perfurando

tudo enfim terminará
deitada estou no pó da morte
tantos calafrios denunciando
o destino está se consumando

no fio de voz que ainda resta
um último clamor
sem ilusões de milagres
e expectativas de amanhãs

sequer pedi para ser sacrificada
como entender esse vácuo sem fim
coração dilacerado
vasos veias como ceras diluídos/as dentro de mim

como cacos de barro seco estou
para Aquele que me abandonou
entre humanos me deixou
suplico num sussurro largado ao vento

onde quer que estejas na terra, mar ou firmamento:
"Pai! Afasta de mim esse cálice"!

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Claaaro que estou em ótima companhia, Chico e Mílton, cantam: Cálice - Chico e Gilberto Gil

sábado, 9 de janeiro de 2010

Aquela Promessa de Eternidade

(imagem recolhida da internet)

e aquela promessa de eternidade
assinalada em cada toque
soprada em cada nota
nas noites de ventos brandos

nas festas dos sentidos
no desenho dos sonhos
no estremecimento dos abraços
repletos extasiados

nas trocas de segredos
nas solidões repartidas
nos olhares de sorrisos
enamorados narcisos

eis que de repente se faz
um mundo em vertigens
pesares e silêncios
uma urgência de sangue

um trajeto sombrio
prisioneiros em lembranças
sobrepujaram a poesia
e nessa infinda agonia

restaram-lhes apenas os dias
que se levantam estilhaçados
pela falta das palavras
já destituídas da ternura

em outras vias obscuras
abismos de presenças
desde a cruel sentença
caminhantes de distintas cidades

para a saudação da efemeridade!

Tá na tecla repeat: Chris Isaac, Wicked Game, essa música faz algum sentido para você? Mas para mim é para além da memória. Aliás, a vida nunca é dotada de sentidos... Tarefa nossa encontrar algum.





terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Eu sou, tu és, ele/a é:

Gustav Klimt - A Árvore da Vida (imagem colhida da internet)

índia branca negra profana santa mãe mulher menina amada amante amável imagem som cor movimento um livro na estante na mão peito bunda boca cerebral visceral animal paisagem da janela sertão flor no jardim chuva rio que transborda ponte que se rasga gata borralheira Cinderela operária música silvando no vento vida tempo racional passional corrosiva acidez doçura do mel amargor do fel o riso e a dor a fome e o alimento ‘entre o sim e o não estou talvez’ Maria Iansã Nanan Ogum São Jorge cavalgando na lua menor abandonada na rua a verba sem rima o ceticismo da sina nordestina brasileira latino-americana italiana caboverdiana o céu azul um manto de estrelas a lua cheia o sol que incendeia a cegueira a ilusão o olho que vê a claridade a escuridão a luz a sombra o dia a noite a desrazão o sal da pele o corte na alma a ferida que sangra o bálsamo que derrama a falta de sorte a morte na esquina a bala sem rumo a mão que açoita que acarinha que vota que escolhe que acolhe o mundo a esperança somos a mudança a árvore da vida!

Que em 2010 sejamos os protagonistas das mudanças que queremos e merecemos. Vamos fazer diferente, vamos fazer a diferença com implicação e consciência. Desejo todo mundo feliz no ano que vem!

É isso, junte-se a nós, que o mundo seja tomado por "loucos" e sonhadores, vamos refletir e sentir ao som e no tom de Imagine - John Winston Lennon.







sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ah, João...

João Cabral e eu contemplávamos o "cão sem plumas"

Só sendo coisa de signo mesmo, cabra, capricórnio, equilibrar-se no pico das montanhas e como elas também “aprender a comer pedras”, que as educaram. João, elas não são apenas idéias, ou, 'legítimas representantes de uma força sertaneja e do solo pedroso da região', elas são o excesso de todas as faltas e carências, até as pessoas estão se tornando pedras, sequer destilam uma “palavra seda”, ou uma palavra mais doce, rapadura. E sem a ternura, não restará um dia, 'pedra sobre pedra'. Estão todos petrificados, a vida virou uma coisa tão banal e deu lugar à morte que é noticiada todo dia no jornal, há muito não se morre de morte morrida, agora a moda feia é morrer mais de morte matada, essa 'antes dos vinte', por causa de uma tal emboscada social. João mata-se por nada, por um tênis, por um trancilim de prata, principalmente por uma coisa que se chama desigualdade, seja no canavial ou na cidade. O tempo é cheio de faltas: de respeito, de comida, de ética, de igualdade, de justiça e até de chuvas. Que falta faz um falar mais... Sertanejo? Uma palavra mais temperada, mais fruta-da-terra, com aquele sabor cajá, graviola ou mangaba? Nem sequer as palavras bóiam num papel, nem em um copo com água ardente, limão e mel. O que bóia cada vez mais, João, são corpos que um dia sonharam em ser pessoas, Capibaribe acima, Capibaribe abaixo. Outro dia mesmo eu estava observando uns polícias com arma(s) nas mãos empunhando, e pela Rua do Sol, tão escaldante, correndo, atrás de crianças, que numa dessas barruadas da vida, sem querer se enroscaram na bolsa de uma senhora e caíram de roupa e tudo dentro do Capibaribe, e foram nadando, nadando, até a bala dos polícias se perderem, eles estavam cheios de medo, eram dois desamparados da vida e fiquei torcendo pelas crianças tão desmilingüidas, porque a fome, essa impiedosa, atravessava seus estômagos; e se embrenharam no rio, como se fossem 'cães sem plumas', e apareceram um tempinho depois lá do outro lado da ponte, que pontuava a linha do horizonte perdido por elas. Acho que nem jogar feijão na panela, eles sabem, porque não tem feijão, quanto mais palavras no papel, para eles tudo 'é oco, como o eco', nem sabem o que é 'flor, abelha; nem azul, nem cor-de-rosa', só da água suja, fétida do Caapiuar-y-be na altura da Rua da Aurora e que vai descendo, descendo, o rio, que, algumas vezes encheu e transbordou, ‘porque estava cansado de ser comprimido pelas margens’, assim como as crianças e as pessoas estão cansadas de serem marginalizadas, de serem lamas, caranguejos, ostras e estigmas com seus 'olhares-de-peixes-mortos', brilhantes como uma ‘lâmina só faca’, que lhe dão abundantemente ferro e balas. Ao menos plantaram flamboyants vermelhos ao longo de uma das margens do Capibara-ybe e seus galhos magros quase cor de lama, vez por outra dão sombra para os quase-humanos que sobrevivem da/na lama desse caudaloso rio, essa capivara líquida. Ah, João...

Lenine, Nine, Lê, não importa como eu o chamo, mas sempre o chamo para estar comigo e embalar-me e nessa hora tão "capibaribenha" nação, escuto, A Balada do Cachorro Louco - Lenine, Lula Queiroga e Chico Neves: "eu não alimento nada duvidoso..." cantemos!

voo cego

O corpo é o limite. O corpo é o que me impede de ser pássaro Alejandra Pizarnik A  Alejandra Pizarnik imagem:  Fernando de Noronha, Brasil. ...