segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A BlueShell propôs, topei!



A BlueShell,  propôs e eu topei, e de acordo com as regras:

1. Avisar o blogueiro que indicou, quando fizer o post

2 - Ser sincero/a nas respostas ou não responder.

3 - Ter que fazer 5 indicações de blogues para que tenha continuidade.

4 - No final da postagem dedicar um tema a quem o indicou.

5 - Se for contra estas regras recusar-se a fazer.

Vamos então às perguntas!

1. Algo que você não fala para ninguém?
Dos meus desejos, projetos antes de expô-los e dos meus medos.

2. Se você pudesse ouvir apenas uma música no próximo mês, qual seria?
Sobre Todas as Coisas, do Chico Buarque e Edu Lobo.

3. Um sentimento que nunca sentiu.
O desejo de concretizar alguns desses sentimentos, rs

4. A pessoa mais importante para você.
Minhas filhas e meus pais.

5. Agora onde você queria estar?
No Porto.

6. Já deram um tapa na sua bunda, gostou?
Sim. Na infância, eu era uma menina muito trelosa, e minha mãe não perdoava. Na fase adulta também levei alguns tapas e nem todas as circunstâncias foram agradáveis, e parti(a) com tudo pra cima dos engraçadinhos. Meu corpo é meu e só toca nele quem eu permitir.

7. Quem levaria para uma ilha deserta?
Puxa, Blue, posso  pular essa? rs

 8. Quem você mandaria para o Iraque com uma camisa escrita " I love USA"?
Ninguém em particular, mas posso juntar um coletivo de políticos corruptos e mandar?

9. O que deixa a sua vida de cabeça para baixo?
A falta de respeito, a violência, a grosseria, a indelicadeza, a mentira, a falta de zelo, a  hipocrisia, o trânsito do Recife e Olinda, essas coisas que parecem ter cristalizado no mundo e na maioria das pessoas.

10. Se alguém lhe dissesse que você poderia realizar um sonho agora, qual seria?
Vou pensar de forma egoísta, me mudaria daqui com as minhas filhas.

11. Algo que gostaria de fazer, mas que não tem ou teve oportunidade?
Dar continuidade ao meu doutorado.

12. Você não sai de casa sem o quê?
Sem um livro, um caderninho para anotações e caneta, barra de cereal - costumeiramente esqueço de levar celular e carteira de identidade -, água, as chaves de casa e umas pratas para um café.

13. Já beijou ou beijaria alguém do mesmo sexo?
Sim, todo dia: minhas filhas, amigas, alunas. É cada beijo estalado na bochecha que enche o ar de carinho!

14. O que estaria fazendo se não estivesse fazendo isto?
Terminando de ler meu livro: "A Arte de Lidar com a Raiva" e ou de ver o filme, Z, do Costa Gavras, que comecei e ainda não concluí.

15. O que está pensando agora?
Que quando existe a vontade, o desejo, muito pode ser feito. 

Agora passo este questionário para:

Constantino, o Guardador de Vacas
Barlavento
Olhares do Chacal
Sementeiras
Xaile de Seda

Sobre Todas as Coisas, com o Chico Buarque


domingo, 30 de setembro de 2012

faca

"Seja bala, relógio,
ou a lâmina colérica,
é contudo uma ausência
o que esse homem leva".
(Ou Serventia das Ideias Fixas)
E o Filipe Campos Melo declamou, gravou e editou meu poema

faca na pedra
de amolar
alisando a pedra
dura
de esperar

faca no rio
faca que corta
o fio
o pavio
o pulso

faca que afia
na carne
faca falo
sexo
sangria

faca só lâmina
fria
no brilho
tira delgada
e a fadiga

da vida
que não se cumpre
da faca
em mãos quase vazias
como o vazio que ficou

quando nasceu o dia

----------

XXX - IX - MMXII

pedro abrunhosa e sandra de sá - eu não sei quem te perdeu


domingo, 23 de setembro de 2012

aquele sonho

"Vale não haver escassez de loucos. 
Uns seguindo-se aos outros, em rosário.
Como contas de missangas, alinhadas no fio da descrença".
ascesa dei beati all´empireo - hyeronimus bosch

por não ter pouso
aquele sonho vagava imensidões
voava errante
colidia em estrelas
arrematava  quimeras

por estar suspenso
atado por um fio
que invisível
amarrava a linha do horizonte
aquele era mais um sonho vacilante

por ser vagabundo
transgressor, desafiava regras
criava seu próprio mundo
naquele devaneio
sonhou um porvir

entre o espasmo e a amplidão
abandonou-se inteiro
no deslize das horas
ondas, águas, sal, mar
e bebeu ilusão

-------

XXIII - IX - MMXII

ednardo - pavão mysterioso

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

dor velha*

"Nossa dor não advém das coisas vividas, 
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram"

                                                                    figura: joão câmara

aquela era uma dor velha
puída
tão velha que nem tinha mais idade
essa dor velha
se espalhou pela vida
pela cidade
uma dor velha

conhecida de todo mundo
disseminada pelo corpo
essa dor de tanto gritar
não mais falava
- estava rouca de reclamar -

já não mais lhe davam credibilidade
insistia que era fruto da saudade
renegada até aos confins do tempo
tinha em si uma razão de ser
bradava
por entredentes
essa mágoa resistente
que jorrava impetuosamente
do útero da terra
nevoeiro quente
espumejante
como o triunfo de um geiser
que trazia numa coluna de água e fumaça
pedestal volátil
um coração enfermo, um coração velho
como a dor que jazia escondida no peito!

-------

III - XI - MMXI

*andava impregnada pelo livro, os cus de judas - antónio lobo antunes, e gosto de dialogar com algumas palavras ou sentimentos que saltam do livro e me assaltam desavisadamente.
basta um dia - chico buarque

domingo, 9 de setembro de 2012

no interstício da noite & o dia

"Se toda a sílaba
é ponte
Entre árvore E o drama
ou
dilema
entre fome E a fruta
Tu não és - poema! o sal da terra
Nem a  poesia é teu salário! poeta"

estudo - academia nº 2: tarsila do amaral
I
ora perto, ora longe...
vrúm-vrúm
chuá...
motores, condensadores
sinos de vento
chuá...
passa mais, passa menos
tlim, tlim
chuá...
barulhos na madrugada
e em silêncio
ouço-nos, ouço-na
ouço-me
e a quietude embala
a vida

II
sol a pino
inclemência ao natural
chilreados...
no firmamento azul com brancas nuvens
firme
sssss...
luz solar furando o céu
brisa & primavera
zummm...
zunido de abelhas
beija-flores bailando no espaço
trinados de pássaros
cortando o ar
são os sons da vida
sem pausa
acontecendo
no interstício da
noite & o dia

--------
egberto gismonti - água e vinho

sábado, 1 de setembro de 2012

rajada de trovões

"Tu proverai si com sa di sale
lo pane atrui e come è duro calle
lo scendere e ´l salir per l´altrui scale..."
Dante Alighieri in A Divina Comédia. Paraíso. Canto XVII

imagem: gustavo doré

uma rajada de trovões
rasgava a noite
e abria o ventre do céu

na abóbada celeste
um sem fim de clarões
ziguezagueavam

chispavam luzes
sem rumo certo
enquanto o firmamento

desabava, tormenta
resignação, esquecimento
no longínquo tempo

do nunca mais
terra, transe, movimento
estrondoso acontecimento

dois corações sorriam
portentosos
plenos de re-conhecimento

-------

pooh, cercando di te


terça-feira, 28 de agosto de 2012

II Carta para Ulisses

"A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério".
Agora que você já saiu de dentro de mim, não sei mais como preencher essa extensão que era sua. Coloquei um jarro com orquídeas, um livro do O´Neill e um porta-retrato com aquela foto da nossa praia favorita,  mas ficou um tanto estranho, tal qual a vida e seus desacontecimentos. Ainda assim, decidi aprender a ocupar e me deixar ocupar novamente esses espaços.
As ondas de silêncio doeram, mais até que as palavras ásperas, nas raras vezes que as utilizamos. Mas ele foi necessário, hoje percebo.
Voltei a caminhar sem medo outra vez, apesar de alguns tropeções, mas não me esqueci de como se apruma o andar e o olhar rumo ao horizonte. Até já cantarolo as músicas que não saíam da nossa vida, mas que tive de expulsá-las antes que elas me expulsassem de mim. Algumas vezes me surpreendo com o “coração cheio de acrobatas”, como se me anunciassem um grande espetáculo, não entendi ainda o porquê de tanta festa, mas estou à espera dela.
O tempo é de esperada transição, embora sinto laivos da sua presença, amiúde, mas assim se dá o processo, inesperadamente o que vem, vai. Não sei fingir o que não sinto, disto já sabes, e as pessoas e os sentimentos não são descartáveis, quanto falamos sobre isso? É preciso tempo, eu preciso de tempo para reorganizar o lado de dentro; amor, amar não são supérfluos, não são coisas que se compram nos shoppings, não estão dispostos nas prateleiras, nas gôndolas, é matéria rara. Quase intangível. E quando acontece do coração sentir amor, ele o vive em sua plenitude, transborda; tanto quanto lamenta se uma história têm seu fim. Ele enlutece, chora, vive em si mesmo, se embota, vira concha, sofre talvez mais até que o necessário, até esgotar sem pressa todos os sentimentos ali reunidos, um dia festejados,  mas que  sumiram na poeira do tempo, viraram pó; como se restabelece também no período certo. No seu próprio e uno momento.
Dei outra vez para caminhar ao sabor do vento, sair a esmo, sem destino, seguindo apenas a minha intuição, deixando meus passos me conduzirem a qualquer lugar. Voltei a me encantar com o canto dos passarinhos, com as “onze horas”, que resistentes ao nosso sol escaldante, desabrocham pontuais, saudando a alegria do dia e dos ciclos. Como eu, que acabo de inaugurar mais um: soltei minha alma, que agora novamente, plana livre no azul do céu, se misturando com as nuvens. Se levantares o olhar, se depararás comigo, brincando de dar formas outra vez aos meus sonhos.

------
Da série: Cartas para Ulisses

Ecstasy - Mario Biondi

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

oração para um dia longo



"Os pardais já estão anunciando a sua sinfonia matinal.
 As aves devem ser mais felizes que nós.
Talvez entre eles reina a amizade e a igualdade".
arte popular - ex votos (imagem recolhida na internet)

senhor liberte-me da pieguice
que a intolerância passe ao largo do meu caminho
que a paciência conduza minhas ações
que a reflexão aponte sempre para a sensatez
que a raiva não seja surda e cega
que exista sempre uma greta para o consenso entrar
que a rebeldia alimente o destemor
que ela não se transforme em extremismo
que a saudade não me corroa
que meu coração não seja de aço
(mas também não seja de pudim)
que os dias não tenham mais de 24h
que o amor
o afeto
a alegria
a crença
a força
a amizade
e a fé
estejam sempre presentes em mim
amém!

-------

E o Dimas traz essa oração-comentário-poético:

Santíssima boca,

Com os joelhos no chão,
Trancado em meu aposento,
Oro para o tempo,
Em meio ao desassossego,
A esperar que o dia passe,
a chuva cesse,
E meu coração fique em paz.

gilberto gil, e uma das minhas canções preferidas: se eu quiser falar com Deus

domingo, 19 de agosto de 2012

reflexão de uma moça na janela

"Um texto que cem bocas pronunciam, 
[...]
ignoram inclusive onde as outras bocas falam, 
quantas são e se existem.
 Pode uma boca falar e não sabe o quê".


moça na janela - emiliano di cavalcanti

degustei junto com o café algumas palavras que existem
e dão nomes às coisas
coisas que não existem

coisas que eu sinto
coisas que eu não quero
palavras-coisas:

carro, avião, parafuso
barco, comboio, ferro
tejo, capibaribe, douro

degustei com o café
uma certa linha do horizonte
que alinhava à altura da minha janela

o que não é palavra
e queima quente por dentro
líquida e recorrente

sinuosa, sorrateira
malemolente, certeira
e fica alojada, inconfidente

na curva do meu olhar
que trespassa nuvens
desejo-insolente!

-----

XVIII - VIII - MMXII

chico buarque, desencontro...

domingo, 12 de agosto de 2012

anunciação

"E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
[...]
 E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos"

figura:  ismael nery
vida, movimento, inquietação
arrastando a alma
rasgando o corpo

por dentro um alargamento

dilatada, dilatando, rebentando
parindo-se
aparando

uma explosão
pouco espaço
mutação

anunciando
emitindo sons e sinais 
novo tempo, outra estação!
-------

E o Filipe redimensiona como ninguém, o meu poeminha, com a sua magnífica sensibilidade e criação:

O Rasgo é andamento
A Dilatação é nascimento
A Explosão é recomeço

Todo tempo é compasso
todo o compasso é movimento

E os versos?
Os versos são sinais anunciando de novo o tempo.

------

anunciação, alceu valença

domingo, 5 de agosto de 2012

a vida de volta lhes sorria

"O humano chega aonde chega o amor"
Ítalo Calvino

a couple with their heads full of clouds - salvador dali

tragaram-se com as retinas
de um gole só
prenderam-se
com uma boca a sorrir
e girou o mundo

uma suave melodia
os envolviam
junto com o dia que amanhecia
aquela serenidade
cobriu toda a cidade

e o vento brando
que soprava amiúde
ondulava os cabelos dela
enquanto ele a acariciava com o olhar
ali naquela janela

quanta proximidade
atados
corpos debruçados
em fina sintonia
plenos enredados

a vida de volta lhes sorria!

os presuntos implicados cantam com randy crawford, fallen (adoro, adoro essa música).

voo cego

O corpo é o limite. O corpo é o que me impede de ser pássaro Alejandra Pizarnik A  Alejandra Pizarnik imagem:  Fernando de Noronha, Brasil. ...