à alegria: um vermelho intenso para contornar lábios que sorriem
à esperança: um azul ultramarino e a travessia dos oceanos
às manhãs: dias brancos em searas seguras
aos sonhos: um arco-íris com potes de ouro ao final
aos dias chuvosos: lápis de gizes em tonalidades gris e sépias para circularem afinidades
às noites escuras: estrelas em amarelo ouro e cometas pratas para tecerem bordados de encantar
à solidão: um violino pigmentado pela garança e uma sinfonia de Chopin
à desumanidade: um canteiro de rosas de todas as cores e o livro Palomar, do Italo Calvino, para amolecer espíritos de pedras
aos desbotados: o cerúleo, a safira, a água-marinha e o mirtilo eternizados nas telas de Jan Vermeer
aos esquecidos: todo o registro fotográfico daquilo que foi uma vida e estar junto fazia sentido
aos atrasados: um relógio de bolso sem ponteiros para nunca perderem a hora
aos sedentos: água de flores guardadas em alguidá
aos amargurados: trufas recheadas de contentamento
aos que perderam a fé: a delicadeza de um filme do Jacques Tati
aos perdidos: a linha do horizonte para trazerem o que ficou distante
aos encontros: fogos de artifícios em explosão de cores como se fosse a paleta de Ticiano
para os dias de sol: uma rede em ocre e terracota para embalar pensamentos
às desavenças: chuvas de pétalas de flores construindo palavras de abraçar
aos desamores: licor de anis para tirar o gosto acerbo da alma
à saudade: o silêncio dos claustros, entrecortado vez por outra pelo vento suave a chamar cretcheu
aos reencontros: as 4 Estações de Vivaldi, nos jardins do Palácio de Cristal
aos afectos: o matiz castanho-sereno da estabilidade e do conforto seguro
à felicidade: uma caixinha de música, na tonalidade magenta, com uma bailarina dançando no espelho
à paixão: o fogo e sabor de um resfolegante beijo
ao amor: o brilho infinito que emoldura o meu olhar quando te vejo!
A manauara de voz linda, Eliana Printes, traz-nos sua bela interpretação da canção, Presentes - Kléber Albuquerque - cantemos juntos!









