segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Presentes

(imagem recolhida da internet)



à alegria: um vermelho intenso para contornar lábios que sorriem

à esperança: um azul ultramarino e a travessia dos oceanos

às manhãs: dias brancos em searas seguras

aos sonhos: um arco-íris com potes de ouro ao final

aos dias chuvosos: lápis de gizes em tonalidades gris e sépias para circularem afinidades

às noites escuras: estrelas em amarelo ouro e cometas pratas para tecerem bordados de encantar

à solidão: um violino pigmentado pela garança e uma sinfonia de Chopin

à desumanidade: um canteiro de rosas de todas as cores e o livro Palomar, do Italo Calvino, para amolecer espíritos de pedras

aos desbotados: o cerúleo, a safira, a água-marinha e o mirtilo eternizados nas telas de Jan Vermeer

aos esquecidos: todo o registro fotográfico daquilo que foi uma vida e estar junto fazia sentido

aos atrasados: um relógio de bolso sem ponteiros para nunca perderem a hora

aos sedentos: água de flores guardadas em alguidá

aos amargurados: trufas recheadas de contentamento

aos que perderam a fé: a delicadeza de um filme do Jacques Tati

aos perdidos: a linha do horizonte para trazerem o que ficou distante

aos encontros: fogos de artifícios em explosão de cores como se fosse a paleta de Ticiano

para os dias de sol: uma rede em ocre e terracota para embalar pensamentos

às desavenças: chuvas de pétalas de flores construindo palavras de abraçar

aos desamores: licor de anis para tirar o gosto acerbo da alma

à saudade: o silêncio dos claustros, entrecortado vez por outra pelo vento suave a chamar cretcheu

aos reencontros: as 4 Estações de Vivaldi, nos jardins do Palácio de Cristal

aos afectos: o matiz castanho-sereno da estabilidade e do conforto seguro

à felicidade: uma caixinha de música, na tonalidade magenta, com uma bailarina dançando no espelho

à paixão: o fogo e sabor de um resfolegante beijo

ao amor: o brilho infinito que emoldura o meu olhar quando te vejo!




A manauara de voz linda, Eliana Printes, traz-nos sua bela interpretação da canção, Presentes - Kléber Albuquerque - cantemos juntos!



terça-feira, 27 de julho de 2010

Parindo Estrelas

(imagem recolhida da internet)


blindei o corpo
deixei o medo na gaveta
e o coração estendido no sal
ao sol
- já não batia mais no peito -

medi os palmos que me separavam da felicidade

mas não desenhei os passos
- esqueci-me –
não vi as flores no caminho
e nem o menor sinal do amor

engoli a solidão
bebi toda a saudade
transformei a amargura em vinagre balsâmico
- coisa do tempo –

segui sozinha
engravidei-me
não fiz cerimonia, nem alarde
o momento é de parcimônia
e parti

sem mágoas
ao crepúsculo
ao sabor do vento
muitas contrações depois
pari o firmamento

- transbordando de estrelas -

Passei o dia ouvindo essa música: Grávida - Arnaldo Antunes - cantada pela Marina Lima.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Devolva!

(imagem colhida na internet)



ei moço que tal devolver meu coração

que guardas no bolso?

e deixar que eu caminhe sozinha

que eu rompa em definitivo

essa invisível linha

que costura sentimentos

tão vivos e

vãos?


Fagner canta, Conflito - Petrúcio Maia / Climério - Ninguém escutou essa música mais do que eu. Será? Ouçam-na, é belíssima!



quarta-feira, 14 de julho de 2010

Verso le Tue Braccia Accoglienti

(imagem recolhida na internet)

pois que o meu sorriso e o meu olhar
sejam para além matéria de encantar
e que a minha boca carnuda resguarde do mundo
um mundo sonhado num instante inesperado

e a minha alma de passarinho voe sem escolher caminhos
por sobre o atlântico

que no estreito de messina
sejam um
(a dois, já diluídos)

deslizando suave todos os mares
adriático, jônico, lígure, mediterrâneo, tirreno

e a minha liberdade pronunciada em todos os nãos
seja a cada dia consubstanciada

sorridere radiosamente
diante do anunciado

e nosso refúgio cintile
como aquele brilho estelar
que captas voraz das retinas a cada encontro singular

nesse desavisado fortúnio
que chegou sem alardear

esplosione e desideri
come mi faccio avanti
in passi de un ballerino
verso le tue braccia accoglienti!


Nesse momento tá no repeat a música Quando - Pino Daniele - cantada pelos Neri Per Caso. Cantarolemos e sintamos..."Tu dimmi quando quando/ Dove sono i tuoi occhi e la tua bocca/ Forse in Africa che importa..."



sexta-feira, 2 de julho de 2010

Mar de Sal

(imagem colhida na internet)


como o mar
em movimento e espumas
que hipnotiza além-horizonte
que renuncia a carne e
lava a alma em sal
salmoura

como um navio abandonado
esquecido em qualquer porto
sem rangido ou gemido
partido em mil
milhões de partículas de sal
ao vento

como maremoto
infinitos deslocamentos
enchente atemporal
transbordando por dentro
essas águas de flores águas de sal
leva

deságua
enfurecimento líquido
desvio de curso
liquida esse inesperado percurso
nuvens de sal

enterra de vez discurso

no fundo do mar!


Eu adorei o comentário-poema-espelho do Salve Jorge:

Pra tanto mar
Alguma terra
Pra que ficar
Se a vida emperra
Empurra
Suplante a surra
Que vencemos a guerra
E o sal
Vira tempero
E não será exagero
Se até o mal
Mudar o canal
Deixar de destempero
O passado enterra
E num novo discurso
Seguir o curso
De mares nunca dantes navegados...




Geraldo Azevedo canta: Caravana - dele e do Alceu Valença. Sem perguntas e sem respostas, apenas ouça, cante e sinta: "Corra não pare, não pense demais/Repare essas velas no cais/Que a vida é cigana..."





































































sexta-feira, 18 de junho de 2010

África Rainha

(imagem recolhida da internet)

áfrica, áfrica
o canto que quebra o silêncio do vento
o gemido abafado pelas águas
é o amontoado de pessoas nos porões dos navios
sonhos desfeitos
raízes arrancadas
do ventre da mãe

áfrica, áfrica
terra amada
inesgotável fonte de amor
onde deixei minhas pegadas
cravadas no sulco das estradas
e saí acorrentada
sem jamais querer partir

áfrica, áfrica
lá plantei meu coração
onde cantei as mais doces canções
lá sou liberdade
onde a riqueza maior é a felicidade
lá sou pluma e marfim
e minha alma sorrindo reveste-se de cetim

áfrica, áfrica
no desfolhar da tarde
eu grito minha silente saudade
vagando sem morada
perdida na própria sombra
acendendo as lembranças
para não perder-me de ti

áfrica, áfrica
meu mundo sentimento profundo
minha gente meus sabores minha semente
todas as cores bordadas no manto que me protege
fui extraída do teu útero
mas estás calcificada dentro de mim
e nesse padecimento sem fim és a estrela que me rege



*Chimamanda Adichie, sintam...

Entre choros e risos, grito: African Queen - 2Face Idibia. Cantem, gritem comigo: "Yeah, yeah, you are my african queen, oooh lord, oooh lord/Just like the sun, lights up the earth, you light up my life/And you are my african queen, the girl of my dreams/You take me where i've never been/... You are my african queen, the girl of my dreams/And you remind me of a thing/And that is the african beauty yahhh..."



* Thanks, Brenna Damasceno, uma flor que eu conheci em Portugal.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O nome disso é saudade!

(imagem recolhida da internet)

esse alarde silencioso
essa quietude impaciente
essa abstração do mundo
essa observação interna
esse (des) conhecimento uterino
essa pele nua
descoberta

esse estar em mim

esse desvão de planos
esse romper de sonhos

esse desvario insano
essa mudança de rota
essa mudez na alma
essa estupefação diurna
essa contradição noturna

essa intercalação soturna

essa insatisfação uivante
essa constatação patética
essa devastação que inquieta
essa ausência de comiseração

essa crua certificação


esse precipício adentro
esse vácuo afora
esse monólogo murmurante
essa constelação oitante
essa sombra rente
esse sol poente

essa rima urgente

essa peregrinação insistente

esse amargor constante
essa espera que arde
isso tem nome

o nome disso é saudade!



Quem melhor que a "Dama de Pés Descalços", para exortar em canto a minha saudade (e dói, viu)? Cesaria Évora, Sodadi!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Primavera

(imagem colhida na internet)

no meio da alameda
paraste-me
olhaste-me nos olhos
tocaste minh' alma com um beijo
e minha boca encheu-se de certezas
era maio
(colhemos todas as flores possíveis)
e desde então é sempre primavera...


Eternamente em mim: Primavera - José Miguel Wisnik, com a participação da queridíssima Ná Ozzetti. Cantemos: "A primavera é quando ninguém mais espera/ E desespera tudo em flor/ A primavera é quando ninguém acredita/ E ressuscita por amor..."


domingo, 16 de maio de 2010

(d)Existir

(imagem colhida na internet)

a lembrança foi um sopro
inesperado que chegou no vento
o sabor e o cheiro
aprisionados
na alma corpo pensamento


e quando aquela insiste em resistir
recorro aos artifícios
invento mil malefícios
subverto o coração
e escrevo para (d)existir


Recebi o prêmio Blog de Ouro, da Juliana Carla, do blog Braille da Alma , o selo está na coluna à direita, indico-o para todos, mas tenho que selecionar seis, ei-los:

Ana Cláudia - http://ninhodaninha.blogspot.com/

Dilberto - http://osmorcegos.blogspot.com/

Mariana - http://sordidassa.blogspot.com/

Max - http://max-etnias.blogspot.com/

Nanci - http://maria-sem-vergonha-docerrado.blogspot.com/

Si - http://malaguetasweet.blogspot.com/

Trago a Nana Caymmi cantando, Resposta ao Tempo - Aldir Blanc/Cristovão Bastos. Cantemos: "Num dia azul de verão/ Sinto o vento/ Há fôlhas no meu coração/ É o tempo/ Recordo um amor que perdi/ Ele ri [...]/ Eu posso, ele não vai poder/ Me esquecer".



domingo, 2 de maio de 2010

Desejo oblíquo

imagem: andrea

e então dobraste a esquina
vi de soslaio
teu vulto elegante
em passos cadenciados


basalto
rebrilhando na retina
postura de rei
entre nós

muito mais que o gradil
o vento

adversidades e escolhas
magma derramado

rocha
e meu desejo oblíquo
pendendo da janela
fome tardia

de uma vontade que não sacia
uma saudade que arde
e fere a paisagem
e o poema



Uísque (com gelo), por favor! E a Amy Winehouse, cantando centenas de vezes: Back to Black!



Amigos/as, já recebi diversos selos, e sei que todos foram oferecidos com muito carinho, mas não sabia colocá-los aqui, de modo que agora sei, e na barra lateral inauguro os mimos.

Regras:

1. Dar, no mínimo, a 5 blogs.
2. Copiar endereço de imagem e falar quem o indicou.
3. Colocar as regras.
4. Avisar os indicados.

Recebi da Si:


Indicados:



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Entre el Sueño hay un Océano

(imagem colhida na internet)


... es que entre el océano y el sueño
hay un profundo anhelo

y mi duele!
y no tengo alas para volar...


Mi gusta mucho la voz de esta chica, Ana Belen, que canta en dúo con Antonio Banderas, vamos a escucharla, la canción si llama, No Se Por Que te Quiero

os pássaros engoliram a utopia

Se durante o dia o voo dos pássaros parece sempre sem destino,  à noite dir-se-ia reencontrar sempre uma finalidade.  Voam para alguma coisa...