- quando olhei para o lado já não estavas -
- decidi sorrir-lhe de volta -

vai, coração
anda
vai para a vida
chega de tanta partida
de tão partido
vai, coração
vai sim
sorria para a vida
sim
mil risos sem fim
vai, coração
vivre au grand jour
na claridade da vida
sai da penumbra
desanoiteça
vai, coração
renuncia a sosinhez
anuncia seu regresso à vida
esqueça de se esquecer
vamos, eu te aqueço
Sempre que leio os poemas do Samarone, dá vontade de escrever e fazer esse exercício de intertextualidade.
Curtis Mayfield - People Get Ready, preciso dizer mais? No entanto se preferires com o Jeff Back, é válido também! Feche os olhos, sinta a música e pegue o trem, viaje!
não era um ensaio de vida
um recorte incomum
de um tempo suspenso no ar
havia sempre um sol resplandecente
jogando seus raios no mar
intensidade e harmonia
entre cumplicidades e poesias
risos rasgados na boca
tanta esperança no olhar
uma cartografia da alegria
eis que por uma contingência
deu-se o imponderável
algo difícil de imaginar
transliteração
de uma existência para outra
e as palavras outrora tingidas de amor
caíram no esquecimento
desbotaram de saudades
sentidas, magoadas
com o silêncio absurdo da ausência
Tão Só - Pimp´s, do cedê: Nha Alma Já Revelá, mais música com a qualidade caboverdiana. Simplesmente amo essa música! Gosto do tom melancólico da voz do Dany, emprestado à canção. Só eu sei o que essa música causa em mim, só eu sei! Sintam-na, ouçam-na também com os poros. Uma pena que a maioria aqui não perceba o crioulo... Conheçam mais do Pimps aqui.
é porque o sentimento pesa dentro do peito
e o coração petrificado de amor
nem bate nem apanha
entorpecido já não sente mais dor
Qual é a música desse momento? Só dá ela: Love Hurts Boudleaux Bryant/Felice Bryant-na inesquecível interpretação do Nazareth.
à alegria: um vermelho intenso para contornar lábios que sorriem
à esperança: um azul ultramarino e a travessia dos oceanos
às manhãs: dias brancos em searas seguras
aos sonhos: um arco-íris com potes de ouro ao final
aos dias chuvosos: lápis de gizes em tonalidades gris e sépias para circularem afinidades
às noites escuras: estrelas em amarelo ouro e cometas pratas para tecerem bordados de encantar
à solidão: um violino pigmentado pela garança e uma sinfonia de Chopin
à desumanidade: um canteiro de rosas de todas as cores e o livro Palomar, do Italo Calvino, para amolecer espíritos de pedras
aos desbotados: o cerúleo, a safira, a água-marinha e o mirtilo eternizados nas telas de Jan Vermeer
aos esquecidos: todo o registro fotográfico daquilo que foi uma vida e estar junto fazia sentido
aos atrasados: um relógio de bolso sem ponteiros para nunca perderem a hora
aos sedentos: água de flores guardadas em alguidá
aos amargurados: trufas recheadas de contentamento
aos que perderam a fé: a delicadeza de um filme do Jacques Tati
aos perdidos: a linha do horizonte para trazerem o que ficou distante
aos encontros: fogos de artifícios em explosão de cores como se fosse a paleta de Ticiano
para os dias de sol: uma rede em ocre e terracota para embalar pensamentos
às desavenças: chuvas de pétalas de flores construindo palavras de abraçar
aos desamores: licor de anis para tirar o gosto acerbo da alma
à saudade: o silêncio dos claustros, entrecortado vez por outra pelo vento suave a chamar cretcheu
aos reencontros: as 4 Estações de Vivaldi, nos jardins do Palácio de Cristal
aos afectos: o matiz castanho-sereno da estabilidade e do conforto seguro
à felicidade: uma caixinha de música, na tonalidade magenta, com uma bailarina dançando no espelho
à paixão: o fogo e sabor de um resfolegante beijo
ao amor: o brilho infinito que emoldura o meu olhar quando te vejo!
A manauara de voz linda, Eliana Printes, traz-nos sua bela interpretação da canção, Presentes - Kléber Albuquerque - cantemos juntos!
ei moço que tal devolver meu coração
que guardas no bolso?
e deixar que eu caminhe sozinha
que eu rompa em definitivo
essa invisível linha
que costura sentimentos
tão vivos e
vãos?
Fagner canta, Conflito - Petrúcio Maia / Climério - Ninguém escutou essa música mais do que eu. Será? Ouçam-na, é belíssima!
(imagem colhida na internet)Pra tanto mar
Alguma terra
Pra que ficar
Se a vida emperra
Empurra
Suplante a surra
Que vencemos a guerra
E o sal
Vira tempero
E não será exagero
Se até o mal
Mudar o canal
Deixar de destempero
O passado enterra
E num novo discurso
Seguir o curso
De mares nunca dantes navegados...
O corpo é o limite. O corpo é o que me impede de ser pássaro Alejandra Pizarnik A Alejandra Pizarnik imagem: Fernando de Noronha, Brasil. ...